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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

BIOGRAFIAS - JAIR SANTANA

Jair Santana era somente um mirradinho esforçado, que incomodava os mais velhos para entrar por alguns minutos nas pelejas de várzea do bairro onde morava.
Quando finalmente era atendido, como em uma atitude de pura caridade, Jair Santana era colocado nas extremas para não comprometer e talvez produzir alguma coisa de bom!
E de tanto insistir, o valente rapazola foi ganhando uma certa tarimba, embora sua pretensão de vencer no mundo da bola fosse tratada com um certo desdém pelos engomados “boleiros” do pedaço.
Tomado por uma estranha coragem em desenhar o próprio destino, Jair Santana nunca esmoreceu, nem mesmo quando pisou pela primeira vez no gramado do badalado Estádio de São Januário.
Mas naquele período, os responsáveis do “cruzmaltino” logo perceberam que Jair Santana não passava de outro forasteiro sonhador, que apesar da enorme boa vontade nunca chegaria ao estrelato!

O quadro do Olaria preparado para mais uma partida no Maracanã. Em pé: Osvaldo, Zezinho, Job, Jair Santana, Olavo e Ananias. Agachados: Cidinho, Washington, Maxwell, Lima e Esquerdinha. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Mais lembrado apenas como Jair Santana, Jair Florêncio de Santana nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 20 de fevereiro de 1929.
Em 1946, o regular ponteiro-direito Jair Santana jogava pelo juvenil do Vasco da Gama, que não fez conta quando o rapazola manifestou interesse em continuar sua trajetória nas fileiras do Olaria Atlético Clube (RJ).
No alvianil da Rua Bariri, o dedicado Jair Santana batalhou muito. Foram várias temporadas “comendo grama” no juvenil e nos Aspirantes, até receber sua tão sonhada oportunidade no quadro principal.
Com o passar do tempo, Jair Santana foi aproveitado pela meia-esquerda para jogar ao lado do ponteiro Esquerdinha. Porém, uma contusão do companheiro Moacir proporcionou novos horizontes em sua caminhada.
Por conta do imprevisto acontecido com Moacir, Jair Santana foi escalado como médio-volante e jogou o fino da bola! Repetiu o feito no jogo seguinte e nunca mais voltou para a meia-esquerda do Olaria.

Jair Santana aparece ao lado do craque Brandãozinho antes do confronto entre cariocas e paulistas no Pacaembu. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 740 – 12 de junho de 1952.
O selecionado carioca em 1952. Em pé: Eli do Amparo, Araty, Jair Santana, Nilton Santos, Castilho, Pinheiro e o técnico Zezé Moreira. Agachados: O massagista Mário Américo, Telê Santana, Ranulfo, Ademir, Didi e Nívio. Crédito: revista O Globo Esportivo.

Aplicado e sobretudo solidário, o futebol praticado por Jair Santana foi ganhando corpo e representatividade, ao ponto de provocar o pronto interesse de algumas agremiações do cenário carioca.
Abaixo, uma das participações de Jair Santana como meia-esquerda do Olaria no certame carioca de 1949:
25 de setembro de 1949 – Campeonato carioca de 1949 segundo turno – Olaria 3×1 Botafogo – Estádio da Rua Bariri – Árbitro: Frederich James Lowe –  Gols: Sorriso (2) e Jair para o Olaria; Paraguaio para o Botafogo.
Olaria: Zezinho, Osvaldo e Haroldo; Olavo, Moacir e Ananias; Jarbas, Alcino, Sorriso, Jair Santana e Esquerdinha. Botafogo: Oswaldo Baliza, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, César, Jaime e Braguinha.
Em março de 1952, uma indicação pessoal do craque Didi foi determinante para sua transferência definitiva para o Fluminense, o período mais produtivo de sua carreira, inclusive servindo o selecionado carioca!
Sempre atento, o técnico Zezé Moreira rapidamente encontrou em Jair Santana uma peça fundamental para o perfeito funcionamento de seu novo sistema de cobertura e marcação.
Pelo time da Laranjeiras, Jair Santana conquistou o Torneio Início nas edições de 1954 e 1956, o campeonato carioca de 1959, Torneio Rio-São Paulo de 1957 (invicto) e 1960 e a memorável Copa Rio de 1952.
Nas linhas abaixo, a participação de Jair Santana no compromisso que inaugurou o brilhante roteiro invicto do Fluminense no título do Torneio Rio-São Paulo de 1957:
24 de abril de 1957 – Torneio Rio-São Paulo – Fluminense 1×0 América – Estádio do Maracanã (RJ) – Árbitro: Alberto da Gama Malcher –  Gol: Waldo.
Fluminense: Alberto, Cacá, Roberto e Altair; Jair Santana e Clóvis; Telê Santana (Paulinho) (Osvaldo), Leo (Robson), Waldo, Jair Francisco e Escurinho. América: Pompéia, Lucio e Édson; Rubens, Tinoco e Hélio (Maneco); Canário, Genuíno (Romeiro), Leônidas, Alarcon e Ferreira.
No Estádio das Laranjeiras, o Fluminense aparece pronto para mais um compromisso. Em pé: Píndaro, Jair Santana, Édson, Pinheiro, Castilho e Bigode. Agachados: Robson, Xavier Ambróis, Marinho, Didi e Escurinho. Crédito: Anuário da revista Esporte Ilustrado.
Jair Santana permaneceu no elenco do Fluminense até o mês de julho de 1961, quando decidiu abandonar o futebol. Foram mais de 300 participações com a camisa do tricolor.
De acordo com reportagem publicada nas páginas do Jornal A Noite, ao deixar os gramados Jair Santana exerceu o magistério em Educação Física e também trabalhou como treinador nas categorias amadoras do Vasco da Gama.
Em dezembro de 1963 recebeu uma boa proposta dos dirigentes do Olaria para comandar o time principal. O trabalho no time da Rua Bariri foi iniciado em 8 de janeiro de 1964.
Todavia, o papel de treinador não durou muito e Jair Santana voltou para sua rotina no magistério, sempre acompanhando de perto os jogos do Fluminense e do Olaria.

Internado por conta de uma infecção urinária na Casa de Saúde São Bento, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, Jair Florêncio de Santana faleceu em 13 de outubro de 2014.
A boa linha intermediária do Fluminense. Partindo da esquerda; Jair Santana, Clóvis e Paulo. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 972 – 22 de novembro de 1956.
O esquadrão defensivo do Fluminense. Em pé: Jair Santana, Clóvis e Altair. Agachados: Jair Marinho, Castilho e Pinheiro. Crédito: revista do Esporte número 50 – 20 de fevereiro de 1960.





terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

BIOGRAFIAS - PAULINHO


Alto e esguio, o rapazola Paulinho era conhecido apenas como “Quinho”. Jogava futebol nos campinhos de terra batida e vivia sonhando com o badalado circo da bola.
Os anos passaram e o sonho de menino virou realidade, Então, Paulinho ganhou fama como “Paulinho Ladrão”, o primeiro especialista na arte de surrupiar a bola de seus adversários.
Paulo Ribeiro Omena nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 23 de agosto de 1932. Criado no bairro de Marechal Hermes, Paulinho foi encaminhado ao Madureira Esporte Clube (RJ) em 1952.
Passou com o merecido destaque pela categoria juvenil e em seguida pelo quadro de Aspirantes, sempre buscando com afinco seu lugar ao sol. Finalmente, em 1953, Paulinho foi promovido ao time principal do Madureira, mesmo período em que também trabalhava como funcionário público federal.
Meia-campista de fôlego admirável, Paulinho também colaborava como zagueiro e até como lateral-esquerdo quando necessário.

Paulinho permaneceu nas fileiras do Madureira até 1958, quando seus direitos federativos foram negociados com o Fluminense Football Club (RJ).
No time das Laranjeiras, Paulinho foi aos poucos ganhando espaço no esquema do exigente técnico Zezé Moreira, que nunca abriu mão de sua importante colaboração em vários compromissos do certame carioca.
Abaixo, uma das importantes participações de Paulinho na grande campanha do campeonato carioca de 1959:
11 de outubro de 1959 – Campeonato carioca segundo turno – Fluminense 3×1 Vasco da Gama – Estádio do Maracanã – Árbitro: Antônio Viug – Gols: Pinheiro, Valdo e Telê Santana para o Fluminense; Delém para o Vasco da Gama.
Fluminense: Castilho, Jair Marinho, Pinheiro e Altair; Edmilson e Clóvis; Telê Santana, Paulinho, Valdo, Jair Francisco e Maurinho. Técnico: Zezé Moreira. Vasco da Gama: Hélio, Russo, Bellini e Orlando; Écio e Coronel; Sabará, Delém, Pinga, Rubens e Teotônio. Técnico: Gradim.

Campeão carioca de 1959 e campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1960, Paulinho fez parte de um momento vitorioso na história do clube das Laranjeiras!
Mas o valente Paulinho não é lembrado apenas por seus notáveis atributos técnicos. Sua trajetória é até hoje documentada pela grande capacidade de roubar a bola sorrateiramente de seus adversários.
Em entrevista para a revista do Esporte número 199, edição de 29 de dezembro de 1962, Paulinho revelou aos leitores que o apelido de “ladrão” nunca o incomodou, pelo contrário:
– “Não lembro se foi alguém da imprensa que me batizou de Paulinho Ladrão… No começo eu era apenas o “Marcador-Relâmpago”… O certo é que o “Ladrão” ganhou mais força e provavelmente ficará comigo pelo resto de minha vida”.  
O esforçado Paulinho permaneceu no Fluminense até o findar do primeiro semestre de 1963, ano em que foi transferido para o Botafogo de Futebol e Regatas (RJ).

Jogando pelo Fluminense, Paulinho disputou ao todo 203 compromissos e marcou 44 gols entre os anos de 1959 e 1963.
Além do servir o selecionado carioca, Paulinho também defendeu o Bonsucesso (RJ) e o Canto do Rio (RJ). (*) Algumas fontes registram ainda uma passagem pelo Clube Náutico Capibaribe (PE).
Regularmente lembrado pela diretoria do Madureira, Paulinho recentemente foi homenageado no auditório do clube com o filme “Um Craque Esquecido”.
O rico documentário de sua carreira foi produzido em uma parceria entre a Escola de Samba Portela e a produtora Canto de Sala.
Humilde e sempre simpático, Paulo Ribeiro Omena continua morando no Rio de Janeiro e está aposentado.
[ Crédito : Tardes de Pacaembu ]

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

BIOGRAFIAS - DALTRO MENEZES


Em 1968, o presidente do Esporte Clube Juventude, Djalma Losquiavo, não contava com dinheiro em caixa. Com cautela para não se endividar, o dirigente decidiu tomar uma atitude inovadora, apesar dos riscos envolvidos para um cargo tão estratégico.
Dessa forma, o alviverde de Caxias do Sul apostou suas fichas em um jovem treinador, que desenvolvia um trabalho de muita qualidade nas categorias amadoras do Internacional.
Era uma oportunidade e tanto. Então, o gordinho Daltro Menezes agarrou essa chance com unhas e dentes e realizou um grande trabalho.
O simpático Daltro Rodrigues Menezes nasceu na cidade de Porto Alegre (RS), em 18 de janeiro de 1938.
Naquele período no Juventude, Daltro Menezes montou uma linha de ataque de muito sucesso; Juarez, Balzaretti, Ari, Laone e Puccinelli. Com os bons resultados apresentados, o Internacional trouxe de volta o “gordinho” Daltro.

Em 1968, o presidente do Esporte Clube Juventude, Djalma Losquiavo, não contava com dinheiro em caixa. Com cautela para não se endividar, o dirigente decidiu tomar uma atitude inovadora, apesar dos riscos envolvidos para um cargo tão estratégico.
Dessa forma, o alviverde de Caxias do Sul apostou suas fichas em um jovem treinador, que desenvolvia um trabalho de muita qualidade nas categorias amadoras do Internacional.
Era uma oportunidade e tanto. Então, o gordinho Daltro Menezes agarrou essa chance com unhas e dentes e realizou um grande trabalho.
O simpático Daltro Rodrigues Menezes nasceu na cidade de Porto Alegre (RS), em 18 de janeiro de 1938.
Naquele período no Juventude, Daltro Menezes montou uma linha de ataque de muito sucesso; Juarez, Balzaretti, Ari, Laone e Puccinelli. Com os bons resultados apresentados, o Internacional trouxe de volta o “gordinho” Daltro.
Internacional: Luís Carlos Schneider; Laurício, Luís Carlos Scala, Luís Carlos, Sadi Schwerdt, Élton Fensterseifer (Bibiano Pontes), Dorinho e Carlitos; Bráulio, Claudiomiro e Valdomiro (Canhoto). Técnico: Daltro Menezes. Vasco da Gama: Pedro Paulo; Ferreira, Brito, Fontana e Eberval; Benetti e Buglê; Nado, Nei Oliveira (Adílson), Valfrido e Silvinho. Técnico: Paulinho De Almeida. 

Com sua costumeira capacidade de comunicação, o simpático “gordinho” logo demarcou seu território e desenhou um esquema competitivo de jogo.
Os bons resultados no Torneio “Robertão” de 1968 foram determinantes. O vice-campeonato da competição (mesma colocação obtida na edição de 1967) revelou uma equipe em franco desenvolvimento.
Mas seu maior desafio era mesmo o campeonato gaúcho, dominado pelos gremistas desde 1962.
Em 6 de abril de 1969, o Estádio Beira Rio foi inaugurado com uma vitória sobre o Benfica de Portugal por 2×1. Com sua nova praça esportiva, o Internacional finalmente rompeu o ciclo de conquistas do Grêmio e ficou com o título de 1969.
Com o bicampeonato gaúcho de 1970, Daltro Menezes inaugurou o período dos “anos de chumbo” vividos pelo Grêmio.

Mesmo com os títulos e a simpatia do presidente Carlos Stechman, além do apoio de boa parte dos integrantes dos “Mandarins” (um grupo seleto de torcedores, jornalistas e conselheiros), Daltro Menezes entrou na corda bamba em 1971.
O pivô dessa instabilidade foi o jovem meio campista Bráulio Barbosa de Lima, um talento promissor revelado nas categorias amadoras do Internacional.
Considerado um autêntico “diamante” pelo técnico Oswaldo Rolla, Bráulio ficou conhecido como “Garoto de Ouro”. Se por um lado Daltro Menezes reconhecia muito valor em Bráulio, sua teimosia em deixá-lo de fora do time aborrecia os torcedores.
Em certa ocasião, Daltro Menezes, declarou para uma Rádio de Belo Horizonte que tinha em seu elenco um jogador tão bom quanto Tostão. Mais do que depressa, o hábil repórter retrucou: “Ué, então o coloque para jogar”.
E Bráulio, surpreso, continuava no banco de reservas. Enquanto isso, Daltro Menezes se defendia da ira da torcida pela ausência do “Garoto de Ouro”.

O treinador afirmava que preferia escalar Sérgio Galocha para ajudar Claudiomiro nas batalhas pelo interior gaúcho. Mas, a forte pressão da torcida não calava. Como era possível Bráulio não jogar?
Então, Daltro mudou completamente seu discurso.
Dizia que os “diamantes” só deveriam ser usados em ocasiões especiais, ao mesmo tempo em que não via sentido escalar Bráulio para tomar pernadas dos beques.
E assim o cenário anterior de completo apoio foi ruindo até desabar completamente, em abril de 1971. Na revista Placar de 16 de abril de 1971, o então ex-treinador do Internacional afirmou:
– Me derrubaram por causa do Bráulio. Um erro. Vão colocar muita responsabilidade nas costas do garoto. Ele é um bom sujeito. Não teve culpa!

Além do Internacional, em duas oportunidades, Daltro Menezes comandou o Galícia (BA), Vitória (BA), Ceará (CE), Sport Recife (PE), Colorado (PR), Coritiba (PR), Glória (RS), Grêmio (RS), Juventude (RS), Novo Hamburgo (RS), Santa Cruz (RS), Criciúma (SC), Figueirense (SC), Itabaiana (SE), Francana (SP), Guarani (SP) e Santos (SP).
Apesar da competência, Daltro Menezes era considerado pela imprensa como um “falastrão” de personalidade forte. Conforme artigo publicado pela revista Placar em 6 de dezembro de 1985, o “gordinho” também se considerava um revolucionário:
– Fui o primeiro técnico do Brasil que teve a iniciativa de utilizar dois volantes. Foi com Tovar e Carbone em 1971. 
Os anos passaram e os efeitos da obesidade foram agravados na década de 80, um problema que nunca foi considerado como deveria.
Pelo contrário. quando era treinador do Internacional, Daltro disputava o troféu de maior comilão com o atacante Claudiomiro. Daltro Rodrigues Menezes faleceu na cidade de Porto Alegre (RS), em 18 de agosto de 1994.

Fonte - Tardes de Pacaembu.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

BIOGRAFIAS - NADO

Na preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1966, o técnico Vicente Ítalo Feola realizou experiências com um montante considerável de jogadores.
Foram quase 50 convocados para o período de amistosos e treinamentos do escrete, que tentaria o tão esperado tricampeonato mundial na Inglaterra.
Aquele verdadeiro “batalhão de chuteiras” formou praticamente quatro selecionados, o que representou uma disputa bastante acirrada em cada posição.
Pela ponta direita, Feola testou Garrincha, Jairzinho, Paulo Borges e o pernambucano Nado, jogador de grande destaque no Náutico.
Na época, os órgãos de imprensa classificaram a convocação do baixinho Nado como uma manobra meramente política. Nada mais do que um agrado ao futebol nordestino, principalmente ao presidente da Federação Pernambucana, o senhor Rubem Moreira.

Crédito: revista do Esporte número 264 – 28 de março de 1964.

O Náutico era forte nos anos 60. Em pé: Gena, Joelson, Didica, Gílson, Mauro e Clóvis. Agachados: Nado, Bita, Nino, Ivan e Lalá. Crédito: revista do Esporte número 357.
Essa mesma tese de convocação “política” também foi aplicada em outros jogadores fora do eixo Rio-São Paulo, inclusive aos jovens atacantes do Cruzeiro e do Grêmio; Tostão e Alcindo, que mais tarde acabaram confirmando seus lugares na Copa do Mundo da “Terra da Rainha”.
José Rinaldo Tasso Lassálvia, mais conhecido como Nado, nasceu na cidade de Recife (PE), em 15 de outubro de 1938. *Algumas fontes publicam seu nascimento na cidade de Olinda (PE), no mês de fevereiro.
Nado ganhou destaque no futebol varzeano dos arredores de Recife, quando jogava como meio-campista e maltratava os grandalhões com sua enorme habilidade.
Encaminhado aos quadros amadores do Clube Náutico Capibaribe em 1958, Nado conquistou rapidamente seu lugar no quadro principal do “Timbu” no ano seguinte.

Os irmãos Nado e Bita estavam na mira do Vasco, Santos e Palmeiras. Crédito: revista do Esporte número 362 – 12 de fevereiro de 1966.

Uma das linhas de ataque nos treinamentos da Seleção Brasileira em 1966. Partindo da esquerda; Nado, Alcindo, Tostão, Fefeu e Rinaldo. Crédito: revista do Esporte número 382 – 2 de julho de 1966.
Irmão mais velho do também famoso Bita (Sílvio Tasso Lassálvia), Nado fez parte de uma das maiores gerações do “Alvirrubro dos Aflitos”, onde foi campeão pernambucano nas edições de 1960, 1963, 1964 e 1965.
Com apenas 1;65 de altura e pouco menos de 60 quilos, Nado era dono de fintas desconcertantes e cruzamentos precisos. Arisco e audacioso, seu futebol despertou o interesse do Club de Regatas Vasco da Gama no final da temporada de 1965.
Pelo Alvirrubro, Nado disputou 248 jogos e marcou 40 gols. A baixa estatura lhe rendeu o apelido de “Pequeno Polegar” dos Aflitos.
Por uma quantia considerada milionária, Nado chegou ao gramado de São Januário em 1966, pronto para brigar pela titularidade na ponta direita, ocupada naquele momento por Luisinho desde o desligamento de Sabará.

Nado e Salomão foram dois reforços que o Vasco contratou para a temporada de 1966. Crédito: revista do Esporte número 408.
Da fala mansa e um tanto reservado, Nado não levou muita sorte no Vasco.
Mesmo com elencos de boa qualidade, o time da “Colina” amargava um jejum incômodo no campeonato estadual, apesar do título na Taça Guanabara de 1965 e no Torneio Rio-São Paulo de 1966.
A adaptação no futebol carioca não foi fácil. Nado enfrentou uma marcação cerrada por parte da imprensa. Nas avaliações publicadas nos jornais, suas notas eram baixas até nos jogos em que atuava bem.
Em 1967 Nado vivia um momento de recuperação de seu futebol até sofrer uma grave contusão, que prontamente o afastou de uma excursão ao continente europeu.
E o ano de 1967 não poderia terminar de maneira mais melancólica: Nado, Oldair, Fontana e Brito foram barrados pelo técnico Ademir Marques de Menezes.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Nado escapa pela direita e marca para o Vasco contra o Bangu no Maracanã. Crédito: oglobo.globo.com – Agência O Globo.
Felizmente, 1968 trouxe Paulinho de Almeida para comandar o time. O grupo ganhou confiança e chegou ao vice-campeonato carioca.
E Nado foi determinante no esquema do técnico Paulinho de Almeida. Em grande fase, o baixinho foi convocado para alguns amistosos no escrete, além de uma participação no selecionado carioca.
Ao todo, Nado esteve em campo em três compromissos pela Seleção Brasileira:
– Empate em 1×1 contra o Chile no dia 10 de maio de 1966; vitória sobre a Argentina por 4×1 no dia 7 de agosto de 1968 e empate em 2×2 com a Alemanha Ocidental no dia 14 de dezembro de 1968.
Os números foram publicados pelo livro “Seleção Brasileira 90 anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Agosto de 1968 – Brasil 4×1 Argentina. Em pé: Moreira, Felix, Brito, Leônidas, Carlos Roberto e Valtencir. Agachados: Nado, Gerson, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo Cesar. Crédito: movimentocarlitorocha.com.br.

O gol de Nado (em destaque) na surpreendente vitória do Olaria por 1×0 sobre a Seleção Brasileira “B”. Partida de preparação para o mundial de 1970. Crédito: oglobo.globo.com – Agência O Globo.
Sem muitas oportunidades de aproveitamento com o técnico Evaristo de Macedo, Nado foi transferido para o Olaria Atlético Clube em 1969, com um contrato firmado inicialmente em seis meses.
No Olaria, Nado viveu um momento especial ao marcar o gol da surpreendente vitória por 1×0 sobre a Seleção Brasileira “B”, partida de preparação para o mundial de 1970, no México.
Abaixo, uma das jornadas de Nado pelo Olaria no campeonato carioca de 1970:
4 de julho de 1970 – Campeonato carioca primeiro turno – Olaria 1×1 Bangu (Preliminar de Vasco da Gama 2×1 Madureira) – Estádio do Maracanã – Árbitro: José Mário Vinhas – Gols: Dê aos 6′ do primeiro tempo e Acelino aos 36′ do segundo tempo.
Olaria: Pedro Paulo; Mura, Miguel, Altivo e Mineiro; Fernando e Gesse; Nado (William), Pinho (Humberto), Acelino e Fernando José. Bangu: Rôni; Cabrita, Luís Humberto, Sérgio e Bauer; Sidclei e Didinho (Alfredo); Maurício, Dé, Almiro (Jorge Félix) e Aladim.

Nos tempos do Ceará. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Nos tempos do Ceará. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.
Depois da passagem pelos gramados cariocas, Nado acertou com o Fortaleza Esporte Clube, equipe que defendeu nas temporadas de 1971 e 1972, mesmo ano em que foi contratado pelo Ceará Sporting Club.
E Nado foi suportando corajosamente os efeitos do tempo. Experiente e dedicado, seus serviços foram de grande valor ao elenco do Ceará até o ano de 1974.
Apesar da boa forma aos 36 anos de idade, os reflexos de uma cirurgia nos ligamentos do joelho direito representaram o fim de sua carreira.
José Rinaldo Tasso Lassálvia faleceu no dia 3 de maio de 2013. O ex-ponta direita sofreu três paradas cardíacas no Hospital Miguel Arraes, em Recife (PE).

Crédito: revista Placar.
[ CRÉDITO - tardesdepacaembu.wordpress.com ]